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sábado, 21 de abril de 2012

ENTENDA SEU ORGANISMO - O ATP e o LACTATO




Para entendermos o lactato, precisamos entender como acontece o processo de energia quando se realiza um exercício físico.


ATP
ADENOSINA TRIFOSFATO



 A energia acontece quando há  “quebra” de uma molécula de ATP (adenosina trifosfato), que funciona como o combustível para a contração muscular. Existem 3 mecanismos principais para produção dessa energia:

1. Sistema do metabolismo anaeróbico aláctico (sistema ATP-creatina-fosfato), ou seja, sem a produção de lactato. 
2. Sistema do metabolismo anaeróbico láctico (glicólise), ou seja, que leva à produção do lactato.
3. Sistema de metabolismo aeróbico, também sem a produção de lactato.


No metabolismo anaeróbico láctico, o lactato é o produto final da degradação da molécula de glicose (açúcar) utilizada para a produção de energia (ATP). Isso ocorre porque não há oxigênio (O2) suficiente para que ocorra o sistema de metabolismo aeróbico.
Na realidade, o metabolismo anaeróbico láctico, com a produção do lactato, é o principal sistema de produção de energia que é utilizado em atividades físicas que têm duração relativamente curta, de 30 segundos a 90 segundos, como por exemplo em corridas de 400 metros, provas de natação de 200 metros, no futebol, no tênis, etc. O lactato produzido no músculo vai para a corrente sanguínea e daí para o fígado, onde é removido do sangue e metabolizado.


A concentração de lactato no sangue é de aproximadamente 1,0 mmol/L a 1,8 mmol/L, em repouso e durante o exercício leve, quando existe equilíbrio entre sua produção muscular e sua remoção hepática. À medida que o exercício físico se intensifica, ocorre um desequilíbrio entre a produção e remoção, com conseqüente acúmulo de lactato no sangue e aumento de sua concentração. Esse aumento da concentração do lactato no sangue pode ser utilizado para a detecção de um índice de limitação funcional, o limiar anaeróbico, que tem grande utilidade no treinamento desportivo.
A detecção desse índice de limitação funcional é feita com a realização de um exercício de cargas crescentes, e baseia-se na medida da concentração sanguínea do lactato: coletas seriadas de sangue são feitas para se determinar o limiar anaeróbico, que ocorre quando a concentração do lactato excede o valor de 4,0 mmol/L. Dessa forma, estabelece-se como limiar anaeróbico a carga ou intensidade de esforço imediatamente anterior àquela em que a concentração de lactato excede esse valor. O treinamento de "endurance" diminui a concentração sanguínea de lactato e com isso retarda a chegada ao limiar anaeróbico, o que indica a melhora da performance do atleta. É importante ressaltar que concentrações de lactato acima de 4,0 mmol/L devem ser evitadas no treinamento de “endurance”.
O desenvolvimento de novas tecnologias para a dosagem do lactato, denominadas em conjunto de teste laboratorial remoto (“point-of-care testing”), permite-nos, atualmente, fazer a dosagem da concentração sanguínea do lactato em campo, de forma precisa e com uma pequena gota de sangue obtida da ponta de um dos dedos do atleta. Além disso, o resultado é obtido rapidamente, em poucos minutos. Isso facilita muito a realização desse teste, a rapidez de sua interpretação e a tomada de decisão, ampliando seu uso na Medicina Esportiva.
Assim, a dosagem do lactato pode trazer importante informação para o atleta e seu treinador, tanto quanto à situação atual de treinamento e “performance” do atleta, como com relação às demandas metabólicas do organismo e sua capacidade de suportar estímulos de exercícios especificamente selecionados. A avaliação do “fitness” individual e das condições de treinamento, que dependem desse condicionamento físico, são uma área de interesse cada vez maior dentro dos programas de treinamento físico.


LACTATO

Ciclo de Cori - É a conversão de glicose em lactato

Primeiramente saiba que em atividades físicas de longa duração, o suprimento de O2 nem sempre é suficiente.
O lactato surge após a queima da glicólise para o fornecimento de energia sem a presença de O2. Quando não há presença de oxigênio, chamos de metabolismo anaeróbico láctico.

O acúmulo do lactato nos músculos causa um incômodo após o exercício.

A dosagem sanguínea do lactato é uma forma prática de se obter uma avaliação do metabolismo do lactato e do limiar anaeróbico do atleta. Para se entender como funciona esse teste, precisamos antes entender a produção de energia no músculo e sua relação com a produção do lactato. 




Fonte: MERIE L. FOSS; STEVEN J. KETEYIAN.  FOX -  BASES FISIOLÓGICAS DO EXERCÍCIO E DO ESPORTE
SCOTT POWERS; EDWARD T HOWLEY - FISIOLOGIA DO EXERCÍCIO



terça-feira, 18 de outubro de 2011

Músculos que o ciclista acha que não usa



Dois grupos musculares são pormenorizados ou desvalorizados por técnicos e preparadores físicos, os músculos posteriores da coxa  e os posteriores da perna.


Quando analisamos o movimento do ciclista na bicicleta, é possível perceber que as articulações do quadril e do joelho são as que apresentam maior amplitude de movimento comparada à articulação do tornozelo. De forma qualitativa, também sabe-se da grande contribuição destas articulações (quadril e joelho) para a produção de força na pedalada, visto que nestas cruzam os principais músculos utilizados para gerar potência no ciclismo.
Do ponto de vista anatômico e funcional, dois grandes grupos musculares são destacados como principais responsáveis pela produção de força no ciclismo. São eles os extensores do quadril (Glúteos e outros) e os extensores do joelho (Quadríceps, músculos anteriores da coxa).
A importância destes músculos é observada tanto na prática do ciclismo, como na avaliação da função muscular em laboratório. No entanto, dois outros grupos musculares são pormenorizados ou desvalorizados por técnicos e preparadores físicos, os músculos posteriores da coxa (Isquiotibiais) e os posteriores da perna (“panturrilha”).
Estudos realizados nos últimos 20 anos vêm propondo que os músculos posteriores da coxa e da perna possuem a função de transferir ao pé-de-vela a força que é produzida pelos extensores do quadril e do joelho. Na figura 1, é possível observar um desenho esquemático do membro inferior em quatro instantes da fase de propulsão da pedalada.
Nos dois primeiros instantes, nos quais o pé-de-vela se encontra no primeiro quadrante, a maior ativação muscular ocorre para os músculos glúteos e anteriores da coxa (devido a extensão do quadril e joelho), enquanto nos instantes 3 e 4, esta força é transferida ao pé-de-vela pelos músculos da parte posterior da coxa e da panturrilha. Muitos se perguntariam como é possível um músculo transferir força. Tentemos imaginar os músculos como elásticos, os quais quando alongados, armazenam energia potencial que pode ser liberada no movimento como energia cinética (movimento).
Esta função é de grande importância em gestos que envolvem o movimento de mais de uma articulação ao mesmo tempo, como o salto, a corrida, o agachamento e o ciclismo. Assim o músculo consegue transferir energia através da articulação resultando no movimento que acarreta a pedalada e a produção de potência.




Vetor da força aplicada no pedal em  relação às articulações do joelho e do quadril. (1) e (2) indicam predominância da força produzida pelos extensores do joelho e do quadril, enquanto (3) e (4) indicam a transferência desta força ao pé-de-vela pelos músculos posteriores da coxa e da panturrilha.


Com isso é importante para o ciclista manter um bom nível de força dos músculos posteriores da coxa e dos músculos da panturrilha. A maior capacidade destes músculos para a produção de força será fundamental na sua função de transmitir ao pé-de-vela a força gerada pelos potentes músculos glúteos e anteriores da coxa (quadríceps), principalmente durante a fase de propulsão.

No ciclismo, de nada adianta possuir uma grande capacidade de força nos glúteos e no quadríceps e apresentar fraqueza dos isquiotibiais e da panturrilha, pois se perde em eficiência para a aplicação efetiva desta força. O treinamento com pesos visando o equilíbrio de força entre estes grupos musculares se faz necessário, mesmo quando o indivíduo ainda não apresenta diferença importante na capacidade de força entre estes músculos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Contribuições energéticas


            A fonte imediata de energia para a contração muscular é a ATP. Não é a única mas é a mais importante. Quando esta molécula é quebrada, libera-se energia para a contração muscular. O estoque de ATP no músculo é muito pequeno, cerca de 3 segundos de contração muscular. Para suprir a demanda metabólica de energia, existem três vias metabólicas para a ressíntese de ATP, as quais atuam simultaneamente. São estas:
Molécula de ATP
1 - Sistema ATP-CP ou anaeróbio alático – Uma energia muito grande porém é limitada a cerca de 10 s. Acontece em desportos de curta duração como o ciclismo e aqueles que pedem sprints finais;
2 - Glicólise anaeróbica ou aneróbica lática – Fornece energia após 10 segundos até, aproximadamente 3 minutos. Acontece em atividades de período curto e de média duração como algumas provas de ciclismo de pista. O “combustível” utilizado por este sistema é o carboidrato, armazenado na forma de glicogênio no fígado e nos músculos.

3 - Metabolismo aeróbico ou oxidante -  Fornece grande quantidade de energia, mas em velocidade baixa se comparado a outras vias  energéticas. Este metabolismo ocorre por reações químicas até que forme ATP e assim, é mais lento. A via aeróbia atua após 1,5 min de atividade. Os esportes com predominância do sistema aeróbico são os de longa duração como ciclismo de estrada. O “combustível” utilizado  são, principalmente, a gordura e glicogênio, isso, logicamente, dependendo da intensidade do trabalho realizado.


 Dinara  Souza Lima CREF 1747 G/AM



Fonte: JUNIOR, Tácito Pessoa de Souza e PEREIRA, Benedito. Metabolismo Celular e Exercício Físico.